18 de janeiro de 2024

Resolução e transformação de conflitos no âmbito escolar

 

Mediação de Conflito no âmbito escolar

A mediação é considerada uma ferramenta de grande importância na gestão de conflitos no âmbito escolar. Por meio de um ambiente pacífico, seguro e construtivo é possível desenvolver nos alunos competências socioemocionais e pedagógicas. Ela atua na prevenção de violências, estimula a solidariedade e o pertencimento à comunidade escolar, fortalecendo a cultura da paz e a pacificação social. Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo que damos ênfase na Declaração Universal dos Direitos Humanos no Artigo III – Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e a segurança pessoal; e do Artigo VI – Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.

A mediação oportuniza a humanização, novas aprendizagens, o espaço da escuta e da palavra. Para Rosa e Zedra (2020) “mediação é uma alternativa para a solução de conflitos, em que o mediador, imparcial e neutro, auxilia e possibilita a comunicação entre os envolvidos com o objetivo de chegar a um consenso onde todos ganham.”

Para realizar uma boa mediação, é preciso que esteja atento ao roteiro sugerido por Rosa e Zedra (2020):

● Escolher um ambiente acolhedor, de preferência utilize mesa redonda ou rodas de conversa (sem polaridade).

● Estabelecer comunicação eficiente entre os medianos, por meio de recepção dos envolvidos RAPPORT 1.

● Especificar as regras a serem seguidas (respeito mútuo e organização/tempo de falar e ouvir) pelos envolvidos durante a mediação.

● Identificar as questões a serem abordadas, os interesses e sentimentos de cada parte, utilizando a escuta ativa/comunicação assertiva (Comunicação Não Violenta).

● Resumir para os envolvidos as controvérsias apresentadas para que reflitam sobre o que foi dito.

● Iniciar a cooperação entre os envolvidos para possível negociação.

● Registrar e fazer a leitura do que foi acordado na mediação, incentivando a fidelidade do que foi acordado entre as partes.

● Finalizar com RAPPORT.[1]

A mediação escolar é a busca pela solução, sempre por meio do diálogo. As técnicas de mediação fornecem ferramentas necessárias para estabelecer marcas/balizas para atuação do mediador. As técnicas utilizadas dependerão muito do contexto e da complexidade do conflito, por isso é importante que conheça algumas das técnicas para desenvolver o trabalho de mediação escolar. É uma ferramenta para resolução de conflitos envolvendo os vários atores na escola: gestores, professores, alunos, ou seja, toda a comunidade escolar.

 

Conflitos Hipotéticos: Após anos de afastamento de minhas atividades escolares, resolvi junto com o apoio do meu médico psiquiatra, que deveria voltar a enfrentar as minhas ocupações rotineiras e que já havia ocupado durante mais de 20 anos. Então naquele 1º dia de agosto chego à escola e logo fui informado que minha aula naquele momento era em uma turma do 1º ano do Ensino Médio. Tudo me parecia normal, até observar as risadas de meus colegas de trabalho. Algo não “parecia correto...”.

 

Capacidade comunicativa, Capacidade de escuta e a Criatividade: Ao entrar naquela turma notei os diferentes tipos de comportamentos inadequados para uma sala de aula. Eram jovens que claramente demonstravam conflitos e situações de desrespeito oriundo de problemas sociais que resultaram em um ambiente desconfortável para todos. Não havia condições de ministrar minha aula sem me abster dos conflitos daquele momento.

 

Atividade prática através da capacidade comunicativa: Logo de início observei que havia estudantes com distorção idade/série e por motivos variados e entre estes o mais importante era que a turma possuía claramente baixo rendimento de aprendizado, no qual era notório o desnível de interesse e conhecimentos. Portanto, o momento de escuta era particular e difícil de chegar a uma compreensão de ambas as partes. Esta relação entre o mediador e os mediados é um processo de aprendizagem, onde todos ganham. Corroborando com o artigo XIX da Declaração Universal dos Direitos Humanos, respeitando em sua totalidade, não os onerando de que tudo que fazem não tenha consequências, aprender a resolver seus próprios conflitos os fortalece e os tornam protagonistas desses processos.

 

Atividade prática através da capacidade de escuta: Nem todos os conflitos divergentes podem ser resolvidos e entendidos da mesma maneira. Neste momento passamos a trabalhar as gerações de confiança, onde a mediadora cultiva a confiança das partes e as mesmas passam a desempenhar uma maior segurança no mediador. Assim, fizemos um momento de escuta organizando a sala de aula em círculo para que todos pudessem falar. Durante esse momento, os estudantes que quisessem se expressar tiveram esse momento, tão logo os demais tiveram que ouvir. Ao se depararem com algo insatisfatório, eles partilharam suas opiniões, sendo todos ouvidos e ao final foram questionados pelo mediador. O que podemos fazer para melhorar? Qual meu papel enquanto estudante? Qual minha relação com a turma? Esta atividade teve como princípio a neutralidade entre as partes, na busca pela voluntariedade e confidencialidade no processo, a fim de melhorar a relação dentro da sala de aula.

 

Este modelo de atuação nos conflitos existentes apresentou uma grande iminência de melhora estratégica na prevenção relacionada à convivência escolar. Também, alcançamos um número muito participativo, obtendo um número expressivo (provavelmente 45%) de alunos seguindo seus estudos no seguimento de Ensino de Jovens e Adultos (EJA) e com isto conseguiram seus diplomas do ensino médio.

 

Atividade prática através da capacidade da criatividade: Derivado dos conflitos dentro de sala de aula, sabemos que é um processo moroso tanto na aplicação como nos seus resultados. Os conflitos existentes eram decorrentes da distorção idade/série devido às realidades diferentes. Para mediar tais divergências além da escuta propusemos outras formas de se expressar. Buscando o autoconhecimento para a solução do conflito.

 

Frase 1

A empatia é certamente um dos mais nobres sentimentos humanos. Para entender e ajudar o próximo é necessário se imaginar na condição dele.

Frase 2

O mediador compreende as questões socioemocionais, ajudando a enxergar o ponto de vista individual, e a relação do respeito democrático no coletivo.

 

Anexo

Embasando o trabalho que nosso grupo realizou, apresentamos o trabalho realizado na Escola Municipal Professor Avelino Marcante e outras escolas da Rede Pública Municipal da cidade de Joinville, em 2018, onde foi aplicado um programa Educacional com metodologia voltada a superar seus desafios e conflitos. O Programa chamado TOCfE (Teoria das restrições para educação), patrocinado pelo empresário da cidade, foi trazido por ele de Israel e aplicado por voluntários aos Professores da Rede Pública e replicado para as crianças e adolescentes. A capacitação aos professores das escolas, fortaleceu a administração dos conflitos dentro de sala de aula, tornando-os mais reflexivos e independentes ao lidar com as situações que parecem. https://www.tocfe.com.br/

 

O trabalho tem como objetivo a resolução de conflitos dentro do ambiente escolar e ensina a superá-los. A Teoria das Restrições utiliza metodologia através do ganha ganha. São utilizadas três (03) ferramentas onde dentro delas faz com que o estudante aprenda a resolver seus próprios conflitos.

 

Ferramenta da TOCfE (TOC for Education)

O que é?

Conceitos e Definições

Diagrama de dispersão de nuvem

Trata-se de uma ferramenta de organização gráfica que busca responder as cinco perguntas em uma situação de conflito. Com ela, é possível identificar um problema ou uma situação de conflito.

Situação de conflito entre eu quero/você quer para atender as necessidades em busca de um objetivo comum. Possibilita a injeção de uma solução ganha-ganha.

Árvore da ramificação lógica

É uma ferramenta para avaliar as consequências. Seu objetivo é modificar uma conduta ou comportamento negativo ou ideia através da própria iniciativa da própria pessoa que passa a assumir a responsabilidade pela mudança

Atua para a descoberta da causa e efeito, demonstrando o lado positivo e negativo da solução, suas consequências, parcialidades, pressupostos e facilitando a eliminação das situações negativas e que impedem a convergência de ideias.

Árvore dos objetivos ambiciosos

Esta é uma ferramenta que facilita a construção de um planejamento estratégico, levando em consideração a situação atual e a situação pretendida. Também é possível, através dessa ferramenta, a previsão dos obstáculos que poderão existir no caminho da obtenção do objetivo.

Atua no auxílio da elaboração do planejamento estratégico, identificação de obstáculos e objetivos intermediários e conexões de causa efeito e pré-requisitos.

Elaboração Própria



[1] Rapport é uma palavra de origem francesa (rapporter), que significa “trazer de volta” ou “criar uma relação”. O conceito de Rapport é originário da psicologia, e é utilizado para designar a técnica de criar uma ligação de empatia com outra pessoa, para que se comunique com menos resistência.


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