29 de março de 2026

Ciência: O Guia de Sobrevivência e Poder no Século XXI

 

A Ciência da Natureza na escola não pode ser vista como um monte de fórmulas para decorar para a prova. Se você acha isso chato, o problema não é você; é como te ensinaram. A nova regra da educação (BNCC) diz que o pilar de tudo é o letramento científico, que, na real, é a sua habilidade de compreender, interpretar e aplicar o conhecimento no dia a dia para tomar decisões de verdade.

Por que isso é tão importante? É o seu "Kit Cidadania". O letramento científico te dá autonomia para não ser manipulado por fake news na mídia. Ele te permite fazer escolhas inteligentes sobre a sua saúde, sua nutrição e o que você consome, além de te ajudar a entender a importância da sustentabilidade. Basicamente, ele transforma a ciência em uma ferramenta para você "ler o mundo", melhorando sua qualidade de vida e te tornando um sujeito que age, e não apenas alguém que aceita o que dizem.

A BNCC reforça que o letramento é exatamente essa capacidade de compreender e transformar o mundo com base em como a ciência de fato funciona. E é aqui que entra um nome difícil, mas essencial: epistemologia da ciência.

A epistemologia é o estudo de como o conhecimento é construído. Ela é fundamental para que você entenda que a ciência não é um manual de verdades absolutas e eternas. Pelo contrário: é um processo contínuo onde hipóteses são testadas até se tornarem teorias (ou não!). Ela te ensina a avaliar evidências para separar a ciência real da pseudociência (aquelas teorias furadas sem base). É o estudo crítico dos métodos e de suas limitações.

Tudo está conectado: Ciência, Sociedade e Você.

Entender como a ciência funciona e ter o domínio desse conhecimento nos ajuda a ver que ela é uma construção social, influenciada pela economia e pela política. Por isso, a escola deve incentivar a curiosidade e o levantamento de perguntas desde cedo. Ensinar a "natureza da ciência" — como ela opera com transparência, revisão por pares e lidando com a incerteza — é parte crucial da sua formação como cidadão.

Em resumo: o letramento científico é a prática social da ciência (como você usa ela no mundo), enquanto a epistemologia é a base teórica sobre a validade desse conhecimento (como a gente sabe que ele é confiável). Os dois são fundamentais para que a gente tenha uma sociedade que busca progredir de forma sustentável e democrática, com você no comando.


José Henrique Soares Ferreira - Graduado em Matemática (UNIPAC), Especializado em Matemática e Estatística (UFLA) e em Ensino de Física (UFV), Mestre em Educação (FUNIBER) e Mestrando em Ensino de Física (UFJF).

1 de fevereiro de 2026

 O Limite da Constante Amizade: Reencontro da Turma de Matemática de 1999


Para nós, que compartilhamos tantas horas diante do quadro negro, o limite sempre foi a base fundamental de quase todo o Cálculo Numérico. Ele é a ferramenta matemática que utilizamos para descrever o comportamento de uma função quando ela se aproxima de um ponto, independentemente do que aconteça exatamente naquele ponto. Mas o que seria o limite aplicado a uma amizade? Ao migrarmos do campo das funções matemáticas para o campo das funções sociais, percebemos que a lógica não é tão diferente: assim como nas equações que resolvemos juntos, o limite em uma amizade define a fronteira onde uma individualidade termina e a outra começa. Nesse contexto, o limite não funciona como uma barreira de exclusão, mas sim como a variável que protege a saúde da própria relação. Existe o limite da individualidade, que garante o espaço necessário para continuarmos sendo nós mesmos sem sermos absorvidos, e o limite da disponibilidade, que nos faz entender que preservar nossas energias não é uma negação de afeto, mas um ajuste necessário para a nossa própria continuidade. No campo emocional, esse limite se torna saudável ao permitir o apoio mútuo e a liberdade de expressar o carinho, estendendo-se até os parâmetros do respeito e dos valores que guardam nossos segredos e nossa ética.

Analogamente, o cálculo do limite nos ensina o quão perto podemos chegar de um ponto sem que a função sofra uma descontinuidade ou se quebre. Na amizade, o limite é justamente o que nos permite a máxima proximidade, mantendo a integridade do amor construído em anos de convivência acadêmica e pessoal. Este foi o limite exato que alcançamos ontem, dia 31 de janeiro de 2026. O reencontro da nossa turma de Matemática provou que, mesmo após vinte e seis anos, a nossa conexão não se perdeu no infinito. Este dia foi vital para resgatarmos a nossa identidade coletiva; ao olharmos uns para os outros, revimos os estudantes que dividiram calculadoras, rascunhos de teoremas, colas, provas e os inevitáveis choros e risos de quem enfrentou o rigor das exatas. A importância desse encontro reside na confirmação de que, embora cada um tenha seguido um vetor diferente na vida, a nossa origem comum permanece invariável.

Após mais de duas décadas em que nossas trajetórias pareciam divergir, nossas vidas finalmente convergiram para um momento mágico de belas lembranças. O que vivemos ontem foi a prova real de que a amizade é uma grandeza que resiste ao tempo. Por isso, este momento não pode ser apenas um ponto isolado em um gráfico distante; ele deve se transformar em uma função periódica em nossas agendas. Que a alegria desse reencontro se repita com frequência, para que o intervalo entre nossos abraços seja cada vez menor e para que a nossa união continue sendo, para sempre, uma solução perfeita.


José Henrique Soares Ferreira - Graduado em Matemática (UNIPAC), Especializado em Matemática e Estatística (UFLA) e em Ensino de Física (UFV); Mestre em Educação (FUNIBER) e Mestrando em Ensino de Física (UFJF)


Ciência: O Guia de Sobrevivência e Poder no Século XXI

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