O Limite da Constante Amizade: Reencontro da Turma de Matemática de 1999
Para
nós, que compartilhamos tantas horas diante do quadro negro, o limite sempre
foi a base fundamental de quase todo o Cálculo Numérico. Ele é a ferramenta
matemática que utilizamos para descrever o comportamento de uma função quando
ela se aproxima de um ponto, independentemente do que aconteça exatamente
naquele ponto. Mas o que seria o limite aplicado a uma amizade? Ao migrarmos do
campo das funções matemáticas para o campo das funções sociais, percebemos que
a lógica não é tão diferente: assim como nas equações que resolvemos juntos, o
limite em uma amizade define a fronteira onde uma individualidade termina e a
outra começa. Nesse contexto, o limite não funciona como uma barreira de
exclusão, mas sim como a variável que protege a saúde da própria relação.
Existe o limite da individualidade, que garante o espaço necessário para
continuarmos sendo nós mesmos sem sermos absorvidos, e o limite da
disponibilidade, que nos faz entender que preservar nossas energias não é uma
negação de afeto, mas um ajuste necessário para a nossa própria continuidade.
No campo emocional, esse limite se torna saudável ao permitir o apoio mútuo e a
liberdade de expressar o carinho, estendendo-se até os parâmetros do respeito e
dos valores que guardam nossos segredos e nossa ética.
Analogamente,
o cálculo do limite nos ensina o quão perto podemos chegar de um ponto sem que
a função sofra uma descontinuidade ou se quebre. Na amizade, o limite é
justamente o que nos permite a máxima proximidade, mantendo a integridade do
amor construído em anos de convivência acadêmica e pessoal. Este foi o limite
exato que alcançamos ontem, dia 31 de janeiro de 2026. O reencontro da nossa
turma de Matemática provou que, mesmo após vinte e seis anos, a nossa conexão
não se perdeu no infinito. Este dia foi vital para resgatarmos a nossa
identidade coletiva; ao olharmos uns para os outros, revimos os estudantes que
dividiram calculadoras, rascunhos de teoremas, colas, provas e os inevitáveis
choros e risos de quem enfrentou o rigor das exatas. A importância desse
encontro reside na confirmação de que, embora cada um tenha seguido um vetor
diferente na vida, a nossa origem comum permanece invariável.
Após mais de duas décadas em que nossas trajetórias pareciam divergir, nossas vidas finalmente convergiram para um momento mágico de belas lembranças. O que vivemos ontem foi a prova real de que a amizade é uma grandeza que resiste ao tempo. Por isso, este momento não pode ser apenas um ponto isolado em um gráfico distante; ele deve se transformar em uma função periódica em nossas agendas. Que a alegria desse reencontro se repita com frequência, para que o intervalo entre nossos abraços seja cada vez menor e para que a nossa união continue sendo, para sempre, uma solução perfeita.
José Henrique Soares Ferreira - Graduado em Matemática (UNIPAC), Especializado em Matemática e Estatística (UFLA) e em Ensino de Física (UFV); Mestre em Educação (FUNIBER) e Mestrando em Ensino de Física (UFJF)





