1 de fevereiro de 2026

 O Limite da Constante Amizade: Reencontro da Turma de Matemática de 1999


Para nós, que compartilhamos tantas horas diante do quadro negro, o limite sempre foi a base fundamental de quase todo o Cálculo Numérico. Ele é a ferramenta matemática que utilizamos para descrever o comportamento de uma função quando ela se aproxima de um ponto, independentemente do que aconteça exatamente naquele ponto. Mas o que seria o limite aplicado a uma amizade? Ao migrarmos do campo das funções matemáticas para o campo das funções sociais, percebemos que a lógica não é tão diferente: assim como nas equações que resolvemos juntos, o limite em uma amizade define a fronteira onde uma individualidade termina e a outra começa. Nesse contexto, o limite não funciona como uma barreira de exclusão, mas sim como a variável que protege a saúde da própria relação. Existe o limite da individualidade, que garante o espaço necessário para continuarmos sendo nós mesmos sem sermos absorvidos, e o limite da disponibilidade, que nos faz entender que preservar nossas energias não é uma negação de afeto, mas um ajuste necessário para a nossa própria continuidade. No campo emocional, esse limite se torna saudável ao permitir o apoio mútuo e a liberdade de expressar o carinho, estendendo-se até os parâmetros do respeito e dos valores que guardam nossos segredos e nossa ética.

Analogamente, o cálculo do limite nos ensina o quão perto podemos chegar de um ponto sem que a função sofra uma descontinuidade ou se quebre. Na amizade, o limite é justamente o que nos permite a máxima proximidade, mantendo a integridade do amor construído em anos de convivência acadêmica e pessoal. Este foi o limite exato que alcançamos ontem, dia 31 de janeiro de 2026. O reencontro da nossa turma de Matemática provou que, mesmo após vinte e seis anos, a nossa conexão não se perdeu no infinito. Este dia foi vital para resgatarmos a nossa identidade coletiva; ao olharmos uns para os outros, revimos os estudantes que dividiram calculadoras, rascunhos de teoremas, colas, provas e os inevitáveis choros e risos de quem enfrentou o rigor das exatas. A importância desse encontro reside na confirmação de que, embora cada um tenha seguido um vetor diferente na vida, a nossa origem comum permanece invariável.

Após mais de duas décadas em que nossas trajetórias pareciam divergir, nossas vidas finalmente convergiram para um momento mágico de belas lembranças. O que vivemos ontem foi a prova real de que a amizade é uma grandeza que resiste ao tempo. Por isso, este momento não pode ser apenas um ponto isolado em um gráfico distante; ele deve se transformar em uma função periódica em nossas agendas. Que a alegria desse reencontro se repita com frequência, para que o intervalo entre nossos abraços seja cada vez menor e para que a nossa união continue sendo, para sempre, uma solução perfeita.


José Henrique Soares Ferreira - Graduado em Matemática (UNIPAC), Especializado em Matemática e Estatística (UFLA) e em Ensino de Física (UFV); Mestre em Educação (FUNIBER) e Mestrando em Ensino de Física (UFJF)


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